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31/08/2007

31/08 - Doce Chuva Azul
O sol forte fazia aquele termômetro marcar 35 graus. Ar seco de fazer os lábios trincarem. O parque não estava tão cheio naquela tarde de domingo. Alguns trovões e uns pingos de chuva depois, o sol já não ardia tanto. Mas ele não queria sair dali. Esperou novos pingos. Novos rojões. Novos olhares. E eles vieram, cada vez mais intensos. Apenas levantou-se e caminhou. Tranquilamente. Enquanto todos corriam. Os pingos viraram chuva. Das fortes. Mas ele não correu. Viu um ponto de ônibus, bem protegido, e ali se abrigou.

- Tem medo da chuva? - ouviu, em francês.

O loiro de intensos olhos azuis estava molhado. A ponto de sua camisa branca ficar transparente. Era magro, dono de um sorriso matador. Ele não respondeu. Apenas olhou naqueles olhos por um instante.

- Vamos caminhar - disse o francês.

Já estavam ensopados. - Sua camisa branca merece ficar transparente [como a minha]... - disse a boca sob aqueles olhos azuis. E caminharam na chuva. Lembrou-se de sua musa, a Danuza, que disse um dia que há apenas dois tipos de pessoas no mundo: as que usam guarda-chuva e as que não têm medo da chuva. Andaram pela Recoleta. Pisavam nas poças. Tentaram trocar algumas palavras. Mas há frases inteiras que não precisam ser ditas pelo código verbal. Ambos entendiam bem disso. A chuva os derreteu. Docemente.

Ele demorou a tomar banho naquele dia. Preferiu que aquela chuva, aquele suor, aquela saliva, aqueles líquidos, demorassem a sair de seu corpo.


Escrito por Marcelo Cia às 14h20 Comentários Envie

30/08/2007

30/08 - Para chamar de seu
Aquele cara já tinha namorado tantos. Mas nem ele, nem os seus, pareciam acreditar na fidelidade. Já tinha compreendido e engolido e acatado o tal "são dois homens... essa coisa de amor romântico é idealizada, não existe na vida real...." E todas as retóricas correlatas. Risignou-se. Mas queria alguém só para ele. Ah, queria. Um cara que só tivesse olhos para ele e ninguém mais. Não precisava ser para sempre. Seria até bom que fosse, mas não precisava.

"Quero ficar só com você" - era o queria ouvir. E que isso fosse a verdade mais verdadeira do mundo naquele momento. Ainda que deixasse de ser no dia seguinte.

Estava era cansado das migalhas. Dos amores pela metade. Dos joguinhos. Das pequenas mentiras. Das sinceras mas forçadas declarações de pequeno amor. Afinal amor é amor e pouco importa se ele é aberto, fechado, amplo ou restrito. Isso vai e vem, pode mudar. Mas o amor só pode ser amor e pronto. Não vamos acabar com a fantasia.


Escrito por Marcelo Cia às 11h04 Comentários Envie

30/08 - Junior
Sergio Ripardo, editor de Ilustrada da Folha Online e responsável pela coluna Destaques GLS, fez uma nota sobre a Revista Junior. Leia AQUI.


Escrito por Marcelo Cia às 10h52 Comentários Envie

29/08/2007

29/08 - Chuecatown
Um taxista me contou a história de Chueca, o bairro gay de Madri. Fiquei 7 dias por lá. Parece verdade. Até a década de 80 a região era marginal, a área proibidona do centro. Não havia gay nenhum por lá. Apenas traficantes e decadência.

Foi no início dos 80. Alguns gays começaram a a aproveitar os aluguéis baratos da região. Os prédios antigões, quase tombados, charmosos, passaram a ser ocupados pelos festeiros rapazes. A maioria destes primeiros moradores eram funcionários da lojas, cinemas e teatros que abriam e cresciam na revitalizada Gran Via, rua que delimita Chueca e que, na época, queria ser a broadway madrilena.  Eram cantores, atores e vendedores das lojas esses primeiros moradores. Três categorias profissionais bem conhecidas pela animação. Os queridos, dizia o taxista, jamais mexeram nas fachadas dos antigos prédios, mas mudaram tudo nas internas. Bares abriram na seqüência para atendê-los. Muitos. Então vieram os clubes, saunas, sex clubs, livrarias, cafés, lojas de artes e design por fim. Virou o lugar mais cool da cidade.

**
Hoje a prefeitura se esforça para manter os primeiros moradores no local. Isso é, trabalha para fazer Chueca continuar gay - e destino turístico de uma massa cheia de dinheiro e disposição. Ela impede a cosntrução de prédio novos para evitar especulação, dificulta reforma e mantém impostos baixos. Policiais protegem seus habitantes e visitantes a noite. A cada esquina há uma viatura com dois policiais parados. Simpáticos, eles foram treinados para trabalhar com esse público. E resolvem a vida. Indicam o caminho melhor para chegar em casa e, se percebem que o cara passou da conta, oferecem para levá-lo a um local seguro.

  
  Lojinha S&M, café, academia...   Estação de Metrô Chueca
      



A pracinha do Metrô. No fim da tarde lota, no começo
da noite (tipo 10h), fica difícil andar. E tudo rola a partir
deste local.


Escrito por Marcelo Cia às 12h12 Comentários Envie

28/08/2007

28/08 - Gentileza
Dia difícil. Esse e os últimos. E a revista Junior, querida, foi para a gráfica. Depois de pequenas discussões imbecis; boicotes burros e algumas risadas. E então que passo o dia na editora, catando piolho em ovelha. Volto no fim do dia para este computador e leio um e-mail tão fofo, vindo de um cara que me conhece tão pouco e que mora tão longe... Tipo encorajando a revista, dando ânimo, crédito, apoio... E ainda terminou com uma fofura. Melhorou meu humor, melhorou minha noite. E, de quebra, ele é lindo. hehehe. Obrigado!

Ser gentil faz bem. É bom lembrar.


Escrito por Marcelo Cia às 20h42 Comentários Envie

23/08/2007

23/08 - Em defesa dos músculos
Na década de 80 a Aids era conhecida como Peste Gay. Se você tem por volta de 20 anos não se lembra. As informações sobre a doença eram escassas. E o medo do desconhecido só aumentava o terror em torno do horror. Só que matava. E rápido. E a maioria era gay. Falava-se de camisinha. Falava-se que era castigo de deus para os sodomitas. Eu era muito novinho, já disse isso aqui, mas vi vários amigos gays da minha mãe definhando e morrendo. Até que uma Veja trouxe em sua capa a foto do Cazuza a beira da morte. Triste, aquele homem lindo, ultratalentoso, feliz, estava frágil, magro, doente. Era só mais uma imagem entre tantas que traziam gays agonizantes, muito magros. Essa era a imagem do gay naqueles terríveis anos. Freddie Mercury, Rock Hudson... Se alguém pedisse para um artista desenhar um homem homossexual naqueles anos, provavelmente ele desenharia um rapaz magro, de olhar perdido, de roupas largas e uma faixa de tecido na cabeça.

Todo uma geração de meninos gays adolescentes gravou essa imagem na memória. Esse moços cresceram, tornaram-se homens. Hoje estão entre os 30 e 40 e, boa parte deles, não traz em seus corpos esses sinais de fragilidade, dor e morte tão ligados aos gays de 20 anos atrás. São fortes. Musculosos, altivos, viris, nada frágeis. E adoram exibir esses atributos. Os músculos. A força, a vitalidade. É uma resposta clara àquela imagem. E ela é mundial. Em Barcelona, Miami, Roma, Munique ou Berlim. São Paulo, Rio, Salvador. É uma imagem dominante. Está até na Globo, nos filmes de Hollywood... Se hoje alguém pedir para um desenhista uma imagem de um gay adulto deste início de século, muito provavelmente ele desenherá um homem forte, sem camisa, bronzeado e sorridente. Acredito que essa nação de musculosos fez mais pela cultura gay do que todos os militantes juntos. (já tô preparado para a porrada).



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Se é uma resposta àquela imagem - e eu acredito que seja - fica fácil prever como será a próxima geração. Os gays mauricinhos. Com a imagem da Peste gay em um passado distante - enterrada pelas tais barbies - essa geração tentará quebrar outro preconceito. O dos sinais externos. Se o homem bombadão é cada vez mais associado à imagem de um gay, os meninos que agora crescem devem se comportar como meninos héteros, os mauricinhos, sem sinais externos que indiquem sua (homo)ssexualidade. Camisetas pólo, relógio no pulso, cabelo curtinho e bem arrumado. Cinto no jeans de grife (ainda que falsificado para uma parte), algum músculo bem definido na academia - mas jamais inflado por bombas. E serão consumidores vorazes. São os pólo-boys, e eles já estão por aí. Em toda parte do mundo. E serão cada vez mais daqui para frente.


Escrito por Marcelo Cia às 18h20 Comentários Envie

22/08/2007

23/08 - Gogo
Não gosto muito de gogo-boy em clubes. Nunca gostei - tá, pode descer o cacete nos comments. Acho desnecessário também. Com esse monte de fortões sem camisa nas pistas gays não vejo sentido nos gogos. Mas o povo parece gostar já que 9 entre 10 clubes apostam neles.

Tudo isso para dizer que fui na Salvation de Barcelona, clube bem divertido que fila ali perto da praça Catalunya. Lá, como aqui, há uma pista mais pop (para Beyonce e muita Shakira) e outra de tribal pesadão. Os gogos ficam na de tribal. E são muitos. Entraram todos de uma vez no palco, na frente do DJ. Eu virei as costas. Mas o povo ficou olhando, quase parado. Quando resolvi ver o que era, entendi tudo. Os gogos de lá se pegam. Nada de sexo, claro. Mas dançam juntos, passam a mão no corpo do colega e um ou outro até se beija. Não é preciso dizer que a pista copiou rapidinho o que eles estavam fazendo e a noite animou em minutos, por assim dizer.


Escrito por Marcelo Cia às 14h59 Comentários Envie

21/08/2007

21/08 - Um Pai
No balanço o pai brinca com sua filha. Ela deve ter dois anos. Ele passou há pouco dos 30. Usa tênis All-Star vermelho, pólo Lacoste e jeans de corte seco. Um rasgo no joelho denuncia uma certa rebeldia - ou o que sobrou dela. Os óculos escuros prendem seus cabelos de corte recente, alguns fios são brancos.

É um homem charmoso. Hoje. Há pouco era bonito, sem dúvida. Casou-se com uma mulher também bonita. Não deixou de ser vaidoso, claro, manteve os cabelos bem cortados, guarda-roupa legal, sorrisão no rosto. Mas, ainda que não estivesse acompanhado da filha e da mulher, qualquer um perceberia que trata-se de um pai.

Quando casa e tem filhos os homens mudam radicalmente de vida. E isso é transferido como carimbo na aparência. Ainda que mulheres do mundo todo repitam que só elas sofrem na procriação, homens passam por um processo mais íntimo e silencioso e, sem se darem conta, mudam tudo em suas vidas. Pais de verdade, claro. É como se uma de suas funções vitais estivesse completa. Aí dão uma relaxada. A ânsia de seduzir dá uma esfriada. Repare naquele homem que é pai casado há anos e que resolveu, tempos depois, assumir seu crescente gosto por homens. Eles caem de paraquedas no mundo gay e estão completamente destreinados para a prática da sedução. Viram rapidamente o tiozinho babão do clube, pelos cantos. É claro que há exceções. E, ainda bem, qualquer cara que tenha ficado fora do mercado consegue aprender rapidamente quais são os joguinhos necessários para entrar nele. Basta treinar - e praticar.


Escrito por Marcelo Cia às 10h55 Comentários Envie

20/08/2007

20/08 - Super Liso
Impressionante ver a obsessão dos espanhóis por depilação. Está nas ruas, nas praias, em qualquer lugar. Meninos - héteros e gays - fazem shaver total. Incluíndo pernas. Não sou nada contra, ao contrário. Acho que umas partes devem ser depiladas mesmo - por higiene ou por estética. Mas pernas? Braços? Imprimiu estranho assim que vi a profusão de pernas depiladas em Chueca, mas depois fui acostumando e terminei achando razoável.

Veja dois meninos de Chueca e sua pernocas no Zero.




Escrito por Marcelo Cia às 09h35 Comentários Envie

15/08/2007

15/08 - Cariño
Barcelona vai deixar marcas. Beijos. Volto já.


Escrito por Marcelo Cia às 08h00 Comentários Envie

06/08/2007

06/08 - 35 graus
Muito quente aqui. E seco. De fazer os lábios racharem. E muita gente na rua, o dia todo. O sol só cai mesmo por volta das dez da noite. Rua cheia até lá. Os clubes só enchem depois das 2h. E sao vários (nao descobri a acentuacao neste teclado). Mas todos pequenos. O maior pelo jeito é o Royal. Bem legal. Uma espécie de arena bem grande, toda preta. No dia que cheguei, sexta, fui lá empurrado por um querido daqui. Ceballos tocava. E foi engracado.

Ah, tudo rola eh em Chueca mesmo. Tudo, ateh a Pacha. No sabado nao dava para andar pelas vielas estreitas de tao lotadas. Fiquei pela praca do metro de Chueca, uma graca, cheia de bares de calcada, com alguns performes de ruas fazendo graca. Muita gente, e de todos os tipos, o que eh sempre melhor. Depois fui no Black and White. Dizem que eh o bar gay mais antigo de Chueca, de quando a regiao estava deixando de ser marginal e os gays (a maioria atores e cantores da Gran Via), migravam para cah. É classico. Toca uma coisa trash espanhola. E tem muitos brasileiros. Todos bem fortoes, com a mao lá nas partes, fazendo pacote crescer. Cobram para usar, claro. Fiquei pouco. Voltei para a rua. O calor nao tá permitindo clubes e a rua daqui é segura e divertida. Andei por outros bares e clubes (a maioria nao cobra para entrar). Ah, depois conto tudo vai.... Besos.



Escrito por Marcelo Cia às 08h38 Comentários Envie

02/08/2007

01/08 - Férias
Depois de 5 anos sem, chegou em bom momento. Vou (tentar) atualizar este blog da Espanha. Mas sem obrigações. Volto logo.


Escrito por Marcelo Cia às 23h42 Comentários Envie


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