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28/09/2007

28/09 - Fascínio Ursino
A noite gay está igual em toda parte do mundo. De Israel ao Brasil. De Santiago a Montreal. A mesma música, as mesmas drogas, o mesmo comportamento, roupas, pegação. Tudo igual. A internet, talvez, tenha empastelado a cultura gay, mas não a reduziu, como pode parecer. A consagração de um grupo predominante é uma boa forma de uma subcultura (como a gay) sobreviver e mostrar sua força. Em torno deste grupo - o predominante - existem outras subculturas; e estão cada vez mais fortes. Os ursos, por exemplo. Essa a cultura que mais tem me fascinado nos últimos meses e de onde parecem vir ótimas idéias e frescor. Os ursos surgiram a partir do grupo leather norte-americano lá nos anos 70. No Brasil só se fortaleceram no fim dos 90-começo-de-2000.

Em São Paulo, Madri ou Paris há festas enormes para eles. Revistas e sites especializados, saunas e bares completam o circuto. O fotógrafo Mike Smarro está conquistando fama focando nos ursos, por exemplo. Nas festas ursinas o dress-code sobrevive, como o uso de lenços e pulseiras simbólicas, que mais uma vez lembra a cultura leather, de onde um dia foi subgrupo. Hoje também se fala muito dos Wolf, subgrupo bear em alta, são os lobos. Homens peludos e másculos como os ursos, mas musculosos como as barbies. François Sagat seria um bom exemplo deste grupo, uma aproximação entre ursos e barbies.

Fico mais fascinado, contudo, com a soltura dos ursos, principalmente a soltura sexual - que vem da saudável relação que eles possuem com o próprio corpo, com o que têm, com o que são. E, principalmente, com o que se faz com o que se tem e com o que se é. Eles, os ursos, estão dando aula.


François Sagat


Escrito por Marcelo Cia às 16h14 Comentários Envie

25/09/2007

25/09 - Coisa boa
Bom ouvir Rufus nesta tarde de chuvinha fina. Frio forte. E alguma saudade!

:: Oh What a World
Men reading fashion magazines
Oh what a world
It seems we live in
Straight man
Oh what a world
We live in

Why am I always on a plane or a fast train
Oh what a world my parents gave me
Always
Travelin' but not in love

Still I think I'm doin' fine
Wouldn't it be a lovely headline
Life is
Beautiful on a New York Times

Men reading fashion magazines
Oh what a world
It seems we live in
Straight man
Oh what a world
We live in

Why am I always on a plane or a fast train
Oh what a world my parents gave me
Always
Travelin' but not in love

Still I think I'm doin' fine
Wouldn't it be a lovely headline
Life is
Beautiful on a New York Times

Oh what a world
We live in

Why am I always on a plane or a fast train
Oh what a world my parents gave me
Always
Travelin' but not in love

Still I think I'm doin' fine
Wouldn't it be a lovely headline
Life is
Beautiful


Escrito por Marcelo Cia às 17h02 Comentários Envie

25/09 - Oi
si si: estou meio afastado. Tá faltando inspiração - e respiração.


Escrito por Marcelo Cia às 16h57 Comentários Envie

18/09/2007

19/09 - Tantas noites em uma tarde
Começaram aos 14, 15 anos. Eram amigos. bem amigos. E começaram a ir juntos em bares, clubes e tais. Depois dormiam juntos na casa de um ou de outro. As vezes dormiam bêbados. E foi em uma dessas noites, depois de alguns copos de desibinição, que rolou. E foi legal. Depois riram e dormiram. Acordaram e nada mudou. Só que aquelas brincadeiras noturnas foram ficando mais corriqueiras - e intensas. Cada vez mais as idas aos bares eram desculpas para o que viria depois.

Eles também começaram a viajar juntos com os pais de um deles. Ficavam sempre no mesmo quarto e aí rolava durante o dia, a tarde e a noite. Mas não eram gays. Nem sabiam o que era isso. Nem se preocupavam com nada, é verdade. Estavam apenas se divertindo. Isso sim. E não rolava ciúme de nenhuma das partes, nem cobranças. Afinal, não namoravam. Era apenas uma relação de amigos que faziam sexo de vez em quando. Ou de vez em sempre, se preferir. Bastante. Os hormônios exigem, a gente sabe.

Assim foi e, sem se darem conta, os anos passaram. Eles continuaram. Apenas sofisticaram uma ou outra coisa. Mas não podiam mais continuar com aquilo. Já estavam nos 18. E eram o que? Amigos? Namorados? Ficantes? Putos?

Eles não precisaram decidir. O destino o fez antes. Foi em uma tarde de setembro. E Lucas foi à casa de Nicolas. Ele nunca aparecia lá naquele horário. Era cedo demais. Nicolas achou estranho mas o recebeu bem, como sempre. A mãe de Nicolas gostava - e gosta - de Lucas e os deixou  na sala a sós. Lucas estava estranho, agitado. Mas beleza. Pediu para ir ao banheiro. Chamou Nicolas para ir junto. Nicolas foi. No banheiro, Lucas abraçou Nicolas e sorrindo disse que queria fazer aquilo pela última vez. E que iria ser ótimo. Inesquecível. Era um sorriso nervoso.

Nicolas sorriu. Disse a Vitor que há 1 ano ouve aquela mesma ladainha de ser a última vez e que quatro horas depois teria que ouvir o mesmo texto... Mas enquanto falava Nicolas percebeu que algo tinha mudado. E que era definitivo. Começaram, ali no banheiro, sem se importar com pai, mãe, irmão ou cachorro. Lucas sorriu, na metade do caminho, e disse: preciso que você saiba antes de todo mundo. Eu engravidei a Cláudia e vou casar.

O cérebro de Nicolas parou por uns instantes. O imbecil do Lucas engravidou a moça na primeira vez que trepou com uma mulher na vida. Não terminaram aquela trepada. Nem começaram outra desde então.

Lucas queria que Nicolas fosse a seu casamento. Depois queria muito que Nicolas conhecesse seus dois outros filhos que chegraram em seguida. Nicolas não foi. Nem formatura, nem aniversário, nada. Lucas virou um daqueles caras chatos que joga baralho com os amigos no domingo. Nicolas continua no mundo. Mas nunca mais se viram. Não frente a frente. Apenas sabem das notícias um do outro pelas respectivas mães.

Mas ambos sabem, lá no fundinho, que um dia vão se encontrar. 12 ou 15, 20 ou 30 anos depois.



Escrito por Marcelo Cia às 21h15 Comentários Envie

18/09 - Comentários
Vou deixar os comentários abertos, aprovados automaticamente. Por enquanto. Se o nível baixar, volto a moderar. Blz?


Escrito por Marcelo Cia às 13h10 Comentários Envie

17/09/2007

17/09 - Sem rumo
Não basta ser diferente. É preciso ser diferente entre os diferentes. Sabe-se lá se era isso mesmo que pensava. Não pensava, mas era o que sentia. É certo que nunca conseguiu se encaixar em grupo nenhum. Entre os musculosos, sentia-se out. Não gostava daquelas roupas - e, principalmente, da falta delas. Entre os modernos, sentia preguiça monumental. Tinha que ter opinião sempre. E nem sempre as tinha. Nem queria ter. Entre os roqueiros era como um ET. Ainda estava nos Smiths e Blondie. Achava Hot Chip adolescente. Também não gostava muito dos olhos pintados de preto. Nem das olheiras. Entre mauricinhos ele nem tentava. Não passava suas férias entre Ibiza e Nova York, nem sabia que a Lacoste era francesa (e é?).

Clubber então, ah, tinha distância respeitosa. Acreditava que aquele mundo tinha acabado nos anos 90 e só eles não tinham percebido. Sentia-se sem classe. Sem grupo. Por isso sempre tomava cafés com mulheres solteiras, trintonas. Um grupo enorme. Elas não costumam se dar muito bem em grupos estritamente femininos. Mas adoram qualquer cheirinho de testosterona por perto.


Escrito por Marcelo Cia às 22h03 Comentários Envie

14/09/2007

14/09 - Marcos e Joan
Marcos era um cara bonito, inteligente e muito animado. Engraçado. Querido em qualquer mesa, em qualquer bar, em qualquer pista. Ficava com (quase) todos que queria. E, invariavelmente, ficava com um por noite. Todas as noites. Dificilmente repetia a dose. Até que conheceu Joan. Um cara gatinho e bastante animado. E com ele repetiu. Mais pela farra, é verdade. Mas repetiu. E isso era algo novo na sua biografia sexual.

E repetiu outras vezes até que quando percebeu já dormiam juntos (quase) todas as noites. E assim foi e pareciam felizes. Continuavam a sair. Menos, claro. E bebiam menos também. Normal. Também já não eram tão divertidos. Não precisavam mais chamar tanta atenção. E iam para casa cedo. Normal também.

Um dia sumiram. Sabe-se deus para onde. Perfil no orkut apagado. O blog do Marcos saiu do ar e o msn de repente ficou offline o dia todo e a noite inteira. Um ou outro dizia ter visto Marcos sair de uma academia. Ou entrando, sei lá. Era uma academia de bairro. Uma dessas que nenhum gay malha.

6 ou 7 meses depois, Marcos reapareceu. Estava sozinho. Buscava os amigos. Ele não falava sobre o Joan nem sobre ninguém. Também ninguém se atreveu a perguntar. Estava claro que Marcos só queria se divertir naquela noite. Bebeu bastante. As vezes sorria parecendo que queria chorar. Seu olho mirava o nada, sorrindo, e seu olhos embaçavam. E seu msn voltou e um dia alguém teve coragem de perguntar. Mas Marcos não soube o que responder. Não sabia como terminou. Também não sabia como começou. Só sabia que na vontade de proteger aquela relação, eles foram se fechando mais e mais. E se fecharam tanto que um dia nem se reconheciam mais. E aquele Marcos solto, alegre e sorridente por quem Joan tinha se apaixonado já não existia. Nem o Joan ácido, sagaz e debochado estava mais ali.

Ficaram juntos sem perceber. Foram ficando e se apaixonando, sem perceber. Sem perceber se perderam um do outro. Sem perceber foram se distanciando.

E Marcos voltou - um pouco mais barrigudo, é verdade - a seduzir. Mas agora diz que não vai cair nessa novamente. E assim será - se der tempo de ele perceber.



Imagem de Mike Smarro


Escrito por Marcelo Cia às 20h54 Comentários Envie

11/09/2007

11/09 - É raro mesmo
Quantas boas histórias de amor você tem na vida? 4, 5... 10? Histórias de verdade, com começo, meio e fim. Aquelas que deram certo e só terminaram porque tinham que ser assim. É raro mesmo. Muitos ajustes precisam dar certo; e os dois precisam querer levar adiante.

O sexo tem de ser bom e ainda abrir possibilidade para ser melhor. O beijo tem de entrar firme. Os cheiros também. Todos. A conversa no café da manhã ou no almoço seguinte deve ser, no mínimo, razoável. E ambos tem de ter cuidado para não mostrar muita empolgação - sob pena de assustar o outro ou demonstrar carência excessiva. A roupa também influi para alguns; outros se precupam ainda com o endereço do rapaz e/ou com sua profissão e se estão no mesmo nível sócio-cultural.

E, se tudo bater, amanhã os dois precisam estar dispostos a encarar um namoro (ou algo que o valha) - o que nem sempre acontece. É raro mesmo. Quando acontecer com você, não desperdice. Os outros que esperem...

Ah, apesar de tantos fatores, conta muito - e sempre - um bom sexo, um espetacular sexo. Só ele consegue fazer perdoar desencontros em outras áreas.


Escrito por Marcelo Cia às 14h33 Comentários Envie

10/09/2007

10/09 - Mulher de Coragem
Dona Amélia foi uma grande mulher. Casou novinha com Seu Luiz, um homem mal encarado, machista, mas de bom coração. Italianíssimos na alma e nos palavrões, tiveram 3 filhos. Um deles é meu pai. Mal encarado como Seu Luiz, bom no cerne, frágil na alma. Mas Dona Amélia não era frágil não. Morou conosco até minha adolescênia chegar. E tivemos uma relação que foi além do que se espera. Ela era um poço de compreensão. Porto seguro em uma grande parte da minha vida.

Lembro-me de quando fui à farmácia e coloquei um brinco. Tinha uns 11 anos. Antes de chegar em casa fui na casa dela (uma outra parte da mesma casa, na verdade). Ela achou bonitinho mas alertou que meu pai não gostaria nada daquele enfeite. Disse para eu deixar o brinco em sua casa e, antes de sair para o colégio e quisesse colocá-lo, que passasse lá e depois voltasse para tirá-lo. E assim foi. Meu pai nunca desconfiou.

Na época brava da adolescência, quando as brigas com minha família deixaram de ser apenas verbais, era ela que me amparava. E mesmo sem dizer um A, segurou todas. Deve ter convencido meu pai tantas vezes de que tudo estava bem quando, na real, o que ele mais detestava, o grupo dos "frescos", estava sendo ampliado sob seu nariz.

Dona Amélia era também uma bruxa de mão cheia. Católica na fé, bruxa na vocação. Fazia simpatias para quase tudo. Tinha até um fogãozinho fora de casa para preparar poções. Dizia que não podia levar problemas para dentro. Falavam na vizinhança que ela curava de mal-feito a cegueira. Fez várias para mim e minhas irmãs. Tinha uma horta no jardim com plantas só para isso. Dizia sempre que eu atraía muito mau olhado e uma rosinha branca que ela plantava me protegeria. Daí fazia um chá com as tais rosinhas e pedia para eu tomar banho com ele.

Tinha predileção por mim, o único homem com o sobrenome da família, um patriarcado ruralista refugiado da Itália, os Cia. Saí de casa cedo, fui morar longe para estudar. Mas sempre que podia voltava para vê-la aos sábados. Aos 90 anos permanecia com sua mente intacta, firme e decidida, ainda que o corpo não acompanhasse sua vitalidade. Nossa última conversa foi inesquecível. Tão íntima que não caberia aqui.

Na noite que morreu, há exatos dois anos, chamou meu pai e sua filha à sua casa. Estava bem, mas pediu para chamá-los. Era meia-noite mais ou menos. Deitou-se quando meu pai chegou. Deu a seus filhos a mão, fechou os olhos e assim foi. Tranquilamente, como merecia.

Tenho uma baita saudade dela.


Escrito por Marcelo Cia às 18h00 Comentários Envie

05/09/2007

05/09 - Antony que não me sai da cabeça
Falo ou não falo? Falo, vai. É que não sou muito chegado nessa mania que jornalista tem de dizer "eu dei isso antes de todo mundo", "essa tendência fui eu quem descobri" e tais. Mas sim, agora acho digno me gabar de ter sido o primeiro a mencionar o nome do Antony em um veículo de comunicação brasileiro. E nem foi um achado tão monumental assim. Em 2003 a Suzy Capó, diretora do Festival MixBrasil, veio me falar sobre o filme Lado Selvagem, francês, a história de um triângulo amoroso encabeçado por uma travesti. E disse que a abertura do filme era inebriante (não usou a palavra, mas algo assim). O filme tinha acabado de ganhar o Teddy Bear no Fesival de Berlim, o prêmio mais importante para filmes de temática gay do mundo. E eu tinha que assistir por motivos óbvios.

Consegui uma cópia em francês mesmo e assisti. E a cena de abertura do filme era absolutamente arrebatadora. Nela, em um cabaré cheio de travestis, um rapaz andrógino, de cabelos artificialmente loiros, sem sobrancelha, acho que de batom, cantava lindamente à capela para uma platéia absorta. Era Antony. A música, soube no fim dos créditos, era "I Fell in Love With a Dead Boy". Fiquei louco. Aquela voz ressoava dias depois do filme na minha cabecinha. Comecei a pesquisar tudo sobre o cara. Li, baixei músicas... E escrevi muito sobre ele. Era tarde, eu sei. Ele já estava na estrada desde 2001, com um relativo sucesso no under. Lembro até um dia que escrevi: "pena que esses programadores de festivais de música não vão trazê-lo ao Brasil nunca." Paguei a língua. Nesses quatro anos, Antony deu duas entrevistas para a Folha, cantou com Björk, Lou Reed, Rufus, Coco Rosie e mais um monte de gente legal. Ganhou fãs no mundo todo, passou a ser respeitado, amado e odiado. Como todo verdadeiro artista deve ser.

Meu namorado na época, querido, comprou os dois álbuns dele e o EP na gringa e me deu de presente. Ouvi sem parar. E ouço até hoje. Ele, o Antony, me acompanhou em várias fossas, inclusive quando o namoro com esse cara terminou e me joguei em uma terrível vala. Mas também ouvi em momentos mais alegres. Não acho triste nem deprê, como tantos dizem. Acho doce apenas. E muito sensível. Muito. Sou fã assumido. Declarado. Defensor. Divulgador. E quando soube que ele viria ao Tim Festival (em abril, uma fonte mais que quente do Festival contou), fiquei muito feliz. Mesmo. E quando soube que os ingressos do show dele em São Paulo foram os primeiros a esgotar, fiquei triste e feliz. Triste porque eu não comprei (e agora depende de conseguir ou não uma credencial), feliz porque ele vai fazer um show lindo em São Paulo, naquele teatro tão especial que é o Auditório Tim do Ibirapuera. E eu vou assistir o show dele no Rio também, por achar que vai ser histórico (ao lado de Björk, imagine se eles cantarem juntos...). E eu acho que os organizadores do Tim Festival (oi Monique, hehehe), deveriam arrasar e abrir aquela parede do fundo do Auditório. E quem quiser assistir Antony na faixa pode ficar ali no gramado, com os amigos ou (melhor) com o namorado. É no dia da abertura do Festival e seria um presente. E o marketing da Tim em si deve bater palmas para uma iniciativa assim, caso ela ocorra.

Fã é fã. E, desculpe o tamanho o post, mas eu tenho e venero os meus.

Então ouça uma música do Antony and the Johnsons, Sleep Has His House. E a voz do Antony em si nem aparece. Mas é um live e dá para imaginar como poderá ser a apresentação por aqui (é só clicar no negrito)

:: Sleep Has His House

Ah, Antony e seus Johnsons estão terminando de gravar o novo álbum, tá quase entrando na mixagem. Aiaiaia.


Escrito por Marcelo Cia às 22h05 Comentários Envie

02/09/2007

02/08 - Meu amigo ex-gay
Meu primeiro amigo gay não é mais gay. "Não é mais" é a única forma que achei para classificá-lo. É que ele virou padre e, espero, não fique bravo em ler essa história.

Não é que ele fosse gay. Não consciente, decidido. Não. Nem pensávamos nisso. Éramos jovens demais. Mas já sabíamos, tanto ele quanto eu, que não tinhamos os mesmos desejos daqueles outros meninos do colégio. Nós queríamos experimentar - mas também gostávamos de meninas. Ele era mais tímido. E soltava-se bastante quando queria - ou podia.

Era - e é - inteligente e muito bem humorado. E em algum momento do fim de sua (nossa) adolescência, sentiu-se protegido e querido por um desses grupos de jovens cristãos e dele tornou-se líder. Admirado como sempre quis. É claro que ali foi ficando e se envolvendo em tudo. Fui estudar fora e ficamos distantes.

Tempos depois nos reencontramos e ele me disse que aquelas "coisas" eram da adolescência e que não faziam mais sentido para ele. E estava sendo sincero. Conheço bem aqueles olhos. Foi para o seminário logo depois. E bem feliz. Encontrei com ele muito pouco desde então. Mas ele sempre tem os ouvidos muito abertos para me ouvir. Com seu olhar curioso e nunca repressor - não comigo, ao menos.

Parece loucura, mas está bem de fato. Lá, onde se achou. Cada um usa o escape que melhor lhe cabe.


Escrito por Marcelo Cia às 19h06 Comentários Envie


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